Desvalorização da moeda local, desapropriação de uma rede de supermercados, racionamento de energia, obrigatoriedade de exibição de discursos do presidente em canais de TV a cabo e a suspensão dos direitos de transmissão de seis emissoras. Para especialistas ouvidos pelo UOL NotÃcias, as recentes medidas adotadas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez podem ser classificadas como obrigações e intimidações. De um lado estariam a desvalorização da moeda e o racionamento de energia, duas ações que o governo se viu obrigado a adotar. Do outro, a desapropriação da rede de supermercado e o impasse com os canais de televisão, medidas que teriam sido tomadas pelo governo para intimidar a oposição.
Para o venezuelano Luis Vicente León, diretor do Datanálisis, o principal instituto de pesquisa de opinião do paÃs, a desvalorização e o racionamento eram um mal necessário. “Estas medidas têm um custo polÃtico muito alto. Mas o problema não é tomar as decisões, e, sim, não tomá-las”, afirma. A opinião é compartilhada pelo cientista polÃtico e ex-ministro venezuelano da Justiça Sadio Garavini di Turno. “Ele [Chávez] estava obrigado a desvalorizar a moeda e isso convinha a seus planos já que, assim, ele reduz, em parte, a saÃda de capital do paÃs. Com relação ao racionamento de energia, se ele não adotasse tal medida, ocorreria um colapso do sistema”, analisa Di Turno.
Intimidação – Para especialistas, a impopularidade da desvalorização da moeda e do racionamento de energia fez com que o governo Chávez adotasse outras medidas com o objetivo de intimidar a oposição em pleno ano eleitoral -em setembro o paÃs vai à s urnas eleger um novo parlamento. “Chávez teve a tÃpica resposta de um militar: o ataque é a melhor defesa”, afirma Di Turno. Para o ex-ministro, o presidente venezuelano tenta intimidar os empresários com a desapropriação da rede de supermercados Éxito e “criminalizar a oposição” no caso dos canais de televisão. Uma das emissoras tirada do ar foi a RCTV, abertamente antigoverno e que desde 2007 transmite via cabo depois que o governo Chávez não renovou a licença para transmitir em sinal aberto. “O objetivo é fomentar o medo para que a queda de popularidade não estimule a oposição”, analisa na mesma linha León. Para o especialista, embora a popularidade do presidente venezuelano tenha caÃdo nos últimos meses, o mandatário ainda possui muito calibre polÃtico. “Apesar do custo polÃtico dessas medidas e da popularidade baixa [em comparação com Ãndices anteriores], Chávez ainda tem muita capacidade de mobilização. Sua aprovação é de quase 50%, ou seja, metade do paÃs”, explica. (Fonte: Carlos Iavelberg, do Uol NotÃcias, de São Paulo)
