Eu, meu irmão e nossa namorada: um filme para esquecer da vida.
fevereiro de 2009 • Categoria: Cinema, Colunas, Destaques, Ivan Oliveira ChagasNo cinema, assim como em quaisquer situações da vida, há momentos para tudo que há de ser experimentado. Em alguns dias, o riso é a melhor solução; noutros, passar por tensão, experimentar o medo de perto, ou simplesmente se debulhar em lágrimas por um drama denso, nos fazem renovar. E o cinema, ao meu ver, é puramente isso: um momento de renovação.
Entre tantas comédias românticas que são despejadas aos montes nas salas de cinema ou diretamente nas prateleiras de vídeo-locadoras, invariavelmente salvam-se algumas. Especialmente esta semana, diversos filmes aportaram nas lojas brasileiras, e entre tantas películas lamentáveis, Eu, meu irmão e nossa namorada (Dan in real life, EUA, 2008), é uma daquelas que simplesmente te fazem viver um momento feliz, e esquecer da vida.
Apesar da tradução do título para a língua portuguesa estragar as surpresas do filme, a beleza e graça deste feel good movie parece não serem abaladas. Steve Carell (de O agente 86) não se altera no costumeiro papel de solteirão encalhado – quem se esquece de O virgem de 40 anos? – interpretando desta vez, Dan Burns, um viúvo dos seus quarenta e poucos anos, que vive unicamente para escrever uma coluna de auto-ajuda e conselhos em um jornal local, e cuidar de Jane e Cara, suas duas filhas adolescentes e Lilly, uma garotinha de seus nove ou dez anos.
Durante uma viagem de fim de semana para um encontro familiar, Dan conhece Marie (a atriz francesa Juliette Binoche), em uma livraria de beira de estrada. Neste momento, a química simplesmente acontece, e Dan tem a certeza de ter encontrado a mulher de sua vida e, aparentemente, a moça tem a mesma sensação.
Ao chegar na casa de campo, onde a família se encontra toda reunida, dá-se a grande surpresa do título em português: Marie é a nova namorada de Mitch Burns (Dane Cook, de Amigos, amigos, mulheres à parte), o irmão mais novo de Dan. A partir de então, uma série de situações constrangedoras, pueris e simpáticas dão o tom em uma das mais doces e bem feitas comédias já produzidas por Hollywood.
Carell continua a nos divertir com muitas cenas de sua especialidade, a comédia física e Juliette Binoche parece finalmente ganhar um papel de maior peso em uma produção americana, como não ocorria desde os tempos de O paciente inglês – filme no qual ganhou um Oscar, ou a comédia romântica Chocolate.
Permeada por belas paisagens, um clima de excelente química e entrosamento de todo o elenco, timming perfeito de comédia por parte dos atores e uma trilha sonora fenomenal, realizada de cabo a rabo pelo cantor folk norueguês Sondre Lerche, que ainda aparece fazendo uma performance nas cenas finais, Eu, meu irmão e nossa namorada se amarra de maneira a não deixar pontas soltas pelo caminho. Simplesmente inesquecível.
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