A Santa e outras Ritas
maio de 2009 • Categoria: Colunas, Rita Miranda, Ultimaspor Rita Miranda
São muitas as Ritas. A Rita do Chico Buarque, a roqueira Rita Lee, a Maria Rita, a hollywoodiana Rita Hayworth. Ritas que são o sonho de consumo das Ritas comuns. Um longo caminho entre elas e a Santa Rita dos Impossíveis. O que a difere das outras, o que a torna Santa? O amor incondicional, a caridade, o sofrimento. Sentimentos e atributos raros nos dias de hoje. Hoje a imagem da mulher está associada a um consumo vazio e a desejos banais. No moderno jogo capitalista muito pouco de virtude resta à mulher. Esta “mulherzinha” na qual nos transformamos, atende as expectativas da ideologia dominante, que ao nos seduzir nos mantém ainda enclausuradas numa visão de mundo restritiva. Ainda são poucos os papéis sociais destinados a mulher. A estrutura tacanha permanece. A mulher continua conivente e pouco consciente de seu poder, sendo facilmente manipulável. A alienação feminina e a omissão na tomada de grandes decisões fazem com que as coisas se mantenham ainda estagnadas. Existe um comportamento social pré determinado imposto a nós, que nos mantêm prisioneiras de relacionamentos falidos e humilhantes. Fatos semelhantes também ocorreram na vida da mulher Santa Rita, que antes de ser canonizada foi filha, esposa e mãe. Frustradas estas experiências Rita teve todos os motivos para em vez de Santa ter virado uma senhora acomodada. Mas a Santa Rita foi muito além do papel imposto pela família e pela Igreja, que lhe havia negado a vida no convento. Através de uma inabalável fé, persistiu e cumpriu sua sina de mulher fora do comum. Para mim, além de Santa foi vítima e mártir de sua época, como já fora também muitas outras mulheres comuns.
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