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A lista – Você está livre hoje?: nada é o que parece, num mundo onde ninguém é de ninguém.

março de 2009 • Categoria: Cinema, DVD, Ivan Oliveira Chagas

por Ivan Chagas

O sexo já foi tabu e sinônimo de vergonha para as mais diversas sociedades do mundo. Fosse no Brasil, ou em uma pequena ilha no sul asiático, discorrer sobre o assunto, invariavelmente poderia gerar a morte daquele que profanasse. Como de costume, a arte segue os mesmos caminhos que a vida real, portanto, o sexo sempre foi banido de quaisquer tipos de películas.

 

O tempo passou e as sociedades mudaram. Veio Woodstock, a liberação de tudo – inclusive do sexo. Uma sociedade para se descrever como moderna, fatalmente terá que esclarecer que o sexo – seja ele fácil, pago, sem compromisso, ou por amor – não é um problema, nem a ser discutido, e nem a ser confrontado, ele simplesmente é parte integrante de sua cultura.

 

Assim como na vida, o cinema acompanhou essa quebra de moralismos – falsos e verdadeiros – e vê-se que, hoje em dia, raras são as películas que não possuem o sexo como um elemento para angariar um grande público. O fato é que, o que ainda não se perdeu com relação ao sexo, é a curiosidade de explorá-lo.

 

Nove semanas e meia de amor, E sua mãe também, Pecados íntimos, Lucia e o Sexo e Kinsey – Vamos falar de sexo? formam um pequeno pedaço de uma vasta lista de filmes que abordam o sexo ou a sexualidade de alguma maneira. Para alongar esta lista de filmes que tanto Hollywood, quanto o mundo já produziram, chega às locadoras de todo país neste começo de semana o título A lista – Você está livre hoje? (Deception, EUA, 2008).

 

Embora aborde um tema em comum com os filmes citados acima, A lista cria o diferencial de introduzir sexo a uma trama recheada de suspense. Jonathan Messer (Ewan McGregor, de Sonho de Cassandra) trabalha como contador de uma grande agencia financeira americana. Completamente taciturno, o rapaz está a milhas de distância de ter uma vida repleta de amigos e mulheres, como é o caso do advogado Wyatt Bose (Hugh Jackman, de Austrália).

 

Após anos trabalhando na mesma empresa, ambos acabam se esbarrando pelos corredores do prédio e da noite para o dia se tornam grandes amigos. Durante um almoço, Jonathan e Wyatt se confundem e acabam trocando seus aparelhos de celular. Enquanto o empresário viaja pela Europa, o contador não vê outro jeito além de “cuidar” do telefone do amigo por uma semana.

 

Atendendo os telefonemas do celular de Wyatt, Jonathan acaba tomando o lugar do advogado em uma rede de sexo anônimo, repleta de belas mulheres, e sem compromisso algum. Após uma semana de encontros à forra, o contador se envolve com uma garota que se apresenta apenas como S (Michelle Williams, de O segredo de Brokeback Mountain), sem saber quais são as reais intenções da moça.

 

Levando ao extremo o fato de que os desejos reprimidos são postos pra fora em meio à escuridão, as filmagens de A lista exploram quase que em tempo integral as noites de uma fria Nova Iorque de negócios, ao invés de explorar o que realmente interessaria na trama, que é na verdade, o sexo em si.

Embora A lista tenha um enredo um pouco parado no início, e não surpreenda em seu desfecho, o simples fato de trazer a inovadora idéia de uma sociedade anônima voraz pelos pecados da carne, já é suficiente para a fita se tornar interessante, e sair do senso comum de relacionar sexo com amor, colocando a completa responsabilidade na maneira a qual uma pergunta é respondida, realizando ou não o simples desejo de dois corpos estarem ligados, sem nenhum compromisso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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